O céu além das cidades

Já imaginou ver o céu estrelado e tão perfeitamente iluminado como na foto acima? É assim que ele aparece em determinados locais do planeta, e todos esses locais possuem algumas características em comum: baixa luminosidade, altas altitudes e clima predominantemente com pouca umidade.

A iluminação das cidades e até mesmo a poluição do local são fatores que dificultam a visão do céu genuinamente estrelado. O crescente aumento da população mundial e o crescimento das cidades fez com que a busca por locais perfeitos para a observação noturna aumentasse. A poluição luminosa transformou em raridade algumas observações que antes eram corriqueiras para as civilizações passadas, a observação de um dos braços da Via Láctea, por exemplo.

Com o objetivo de apreciar o céu noturno em toda sua glória, o Astroturismo vem se intensificado nos últimos anos, despertando a curiosidade das pessoas que enxergam o céu apenas como uma imensa escuridão acima das grandes cidades. Abaixo, vamos listar alguns dos lugares do mundo onde ainda é possível observar o céu muito além do que enxergamos nas cidades:

1 – San Pedro de Atacama (Chile)

Considerado por muitos cientistas e amantes de Astronomia como o melhor lugar do mundo para a observação do céu noturno, o Chile tem a perfeita combinação do clima extremamente seco, grandes altitudes e baixa luminosidade. No alto da Cordilheira dos Andes estão instalados os maiores telescópios do mundo, sendo San Pedro de Atacama uma cidade destaque para os sítios astronômicos do país. É aqui que está instalado o telescópio Alma, um telescópio de altíssima geração que procura estudar a radiação produzida por alguns dos objetos mais frios do Universo (fonte: ALMA – ESO Brasil).

San Pedro de AtacamaCéu observado em San Pedro de Atacama – Chile (créditos: Alma Observatory)

Alma ObservatoryObservatório Alma, localizado a cerca de 50 quilômetros de San Pedro de Atacama (cŕeditos: Alma Observatory)

2 – Vulcão Mauna Kea (Havaí)

Conhecido pelas belas praias, clima tropical e pelo surf, o Havaí lidera como um dos melhores lugares do mundo para observar as estrelas. O vulcão extinto Mauna Kea é considerado o maior isolamento geográfico do mundo, com cerca de 10000 metros de altura contados desde a sua base no fundo do oceano, sendo que no topo dele estão concentradas 12 instalações que abrigam atualmente 13 telescópios pertencentes a 11 países. É aqui onde será construído o TMT (Thirty Meter Telescope), que será o maior do local. Em contraste ao calor havaiano, o Mauna Kea fica coberto de neve durante o inverno e propicia uma das paisagens mais belas já vistas.

Céu Mauna KeaPôr-do-sol no topo do Mauna Kea

Observatório Gemini NorteObservatório Gemini Norte em Mauna Kea (créditos: Gemini Observatory)

3 – La Palma (Ilhas Canárias)

Parte do território espanhol, as Ilhas Canárias é hoje o principal local de observações noturnas de toda a Europa. Na cidade de Garafía, localizada na ilha de La Palma (maior ilha do arquipélago), é onde está localizado o Observatório Roque de los Muchachos, situado a cerca de 2400 metros de altitude. O sítio abriga um dos maiores telescópios do mundo, o Gran Telescopio Canarias.

Stitched PanoramaLa Palma nas Ilhas Canárias (créditos: Instituto de Astrofísica de Canarias)

Gran Telescopio CanariasGran Telescopio Canarias, situado na ilha de La Palma (créditos: Observatorio del Roque de los Muchachos)

4 – Lake Tekapo (Nova Zelândia)

Lar da montanha Aoraki Mackenzie, a maior da Nova Zelândia, o país se destaca quando se trata de observações astronômicas. O local atrai turistas de todo o mundo devido à beleza das paisagens e do céu estrelado além de ali estar localizada uma das reservas protegidas da International Dark Sky Association (entidade responsável por avaliar as condições necessárias para observações astronômicas). No topo da montanha está o Mount John University Observatory, o principal do continente asiático em termos de pesquisas e observações.

lake tekapoIgreja localizada em Lake Tekapo (créditos: International Dark Sky Association)

mount john observatoryMount John Observatory (créditos: University of Canterbury)

5 – Kiruna (Suécia)

A cidade de Kiruna na Suécia, possui aproximadamente 18000 habitantes e, ao contrário dos demais locais listados, aqui o céu é excelente para a observação das auroras boreais.  O Parque Nacional do Abisko recebe os turistas interessados em ver as auroras e oferece diversos passeios pelo lugar.

kiruna auroraAurora Boreal na cidade de Kiruna, Suécia (créditos: Kiruna Aurora Tours)

6 – Parque Nacional Kruger (África do Sul)

O Parque Nacional Kruger está localizado no nordeste Sul-africano e cobre uma área de 20000 km² e é o maior parque de vida selvagem livre da África do Sul. O local é o preferido para quem gosta de observar o céu, tanto durante o dia quanto durante a noite, já que o ali o clima é seco durante o inverno e o céu é limpo na maior parte do ano.

kruger skyCéu visto do Parque Nacional Kruger, na África do Sul (créditos: Kurt Safari Co)

7 – Wyoming (Estados Unidos)

O estado de Wyoming é o menos populoso dos Estados Unidos, consequência direta das grandes reservas ambientais localizadas ali, o que restringe a criação e ampliação de cidades. O estado possui grandes espaços escuros, que se tornam propícios à observação do céu devido à grande distância das cidades e à falta de iluminação artificial. Aqui se localiza o famoso Parque Nacional de Yellowstone, preferido dos amantes de astronomia em território americano.

yellowstone skyParque Nacional de Yellowstone, no estado americano de Wyoming (créditos: Universe Today)

8 – Ridge A (Antártida)

O último local da nossa lista ainda não foi visitado pelo ser humano. Com temperaturas no inverno de -70°C, Ridge A ou Cordilheira A, localizada na Antártida, promete ser a maior revolução quando se trata de Astronomia. Isso se deve ao fato do local ser comprovadamente propício às observações do céu, através de estudos de clima e dados de satélites. Com poucas nuvens e umidade do ar próxima de zero, Ridge A não é só o melhor lugar para a instalação de um potente telescópio como também o mais difícil, já que o ambiente impossibilita a presença de vida humana por longos períodos, exigindo que os telescópios instalados ali sejam controlados remotamente.

Estação de pesquisa Davis AntartidaEstação de pesquisa Davis, nas proximidades de Ridge A (créditos: Wikimedia Commons/Grahan Denyer)

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