Astrobiologia

A Astrobiologia é a ciência que estuda a origem da vida na Terra, sua evolução, distribuição, futuro e busca entender como a vida pode ocorrer em ambientes diferentes da vida terrestre como conhecemos, em outras palavras, ela busca compreender origens de formas de vida que podem habitar diferentes lugares do universo.

É uma ciência emergente e em grande discussão na sociedade científica. Afinal, estamos mesmo sozinhos no Universo?

A astrobiologia foi considerada ciência apenas a partir da década de 60 com a criação do Departamento de Astrobiologia da Agência Espacial Norte-Americana (NASA). Em 1971 a NASA cria o SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence) com o objetivo de buscar formas de vida fora do nosso planeta. Construído em conjunto com a Universidade da Califórnia, o Allen Telescope Array é o principal telescópio utilizado pelo SETI. O projeto original conta com 350 antenas que são capazes de cobrir simultaneamente todas as radiofrequências, porém, devido a cortes e falta de financiamentos o ATA funciona apenas com 42 antenas que estão em operação desde 2007. 

1Vista aérea do Allen Telescope Array (ATA). Créditos: SETI Institute

151019-ata-620x484Allen Telescope Array (ATA) visto durante a noite. Créditos: SETI Institute

A descoberta de novos planetas fora do Sistema Solar, os chamados exoplanetas, foram responsáveis por difundir ainda mais a Astrobiologia, já que a busca por planetas com condições similares às da Terra pode aumentar as chances de encontrar tipos de vida primitivos nesses locais. Sondas como a Kepler e a TESS contribuíram para a grande quantidade de exoplanetas confirmados nos últimos anos, ampliando o campo de estudos para os astrobiólogos e para os amantes dessa ciência ainda pouco explorada.

NASA-KeplerSpaceTelescope-ArtistConcept-20141027Desenho artístico da sonda Kepler, grande aliada nas descoberta de planetas extrasolares. Créditos: NASA Ames/ W Stenzel

Totalmente interdisciplinar, a Astrobiologia exige uma cooperação de diversos pesquisadores de diferentes áreas para que seja possível criar uma hipótese válida e, assim, saber onde devemos nos concentrar para procurar alguma forma de vida extraterrestre. Apesar dos avanços e o aumento do número de pesquisas na área, ainda não temos nenhuma comprovação de que realmente existe vida fora da Terra. Porém, muito se estuda sobre as possibilidades, já que em nosso planeta foram descobertas formas de vida que conseguem viver sob condições extremas, condições essas muito similares ao que vemos em locais como Europa, lua de Júpiter e também em Encélado, lua de Saturno.

Os extremófilos são organismos que são capazes de sobreviver em ambientes extremos e totalmente incomum aos organismos mais complexos. São organismos, em grande parte, unicelulares que se desenvolvem, por exemplo, em lagos alcalinos, fissuras de rochas e fontes hidrotermais no fundo dos oceanos.

Grand_prismatic_springGrand Prismatic Spring: Esta fonte hidrotermal apresenta uma diversidade de cores brilhantes. Estas cores são devidas à existência de películas de bactérias termofílicas. A zona em azul contém água a ferver e é livre de bactérias; as zonas que vão do verde ao laranja são zonas onde crescem bactérias em temperaturas sucessivamente menores. Créditos:  Jim Peaco, National Park Service

A DESCOBERTA DAS FONTES HIDROTERMAIS E SUA RELAÇÃO COM A ASTROBIOLOGIA

As fontes hidrotermais foram descobertas a menos de 50 anos atrás por pesquisadores americanos. Elas consistem em “chaminés” que liberam gases e compostos de enxofre criando naquele local um ambiente inóspito e totalmente extremo para habitabilidade de espécies comuns de seres vivos.

fontes-hidrotermais-vermes-tuboVermes marinhos gigantes em torno de uma fonte hidrotermal: ecossistemas incomuns, mas com importante papel para o equilíbrio do planeta. Créditos: Universidade de Washington/NSF/Iniciativa de Observatórios Oceânicos/Instituto Canadense de Ciência Submersa.

As fontes hidrotermais estão mais concentradas em regiões de separação entre placas tectônicas, como pode ser visto no mapa abaixo:

800px-Hydrothermal_vents_map.svgDistribuição geográfica global dos campos termais. Créditos: Savant-fou/NOAA – Data from NOAA’s (Vents Program).

As fumarolas, como são chamadas as “chaminés”, podem ser brancas ou negras, sendo as negras composta de sulfetos metálicos, enquanto as brancas são ricas em óxidos de bário, silício e cálcio. Segue imagens:

Fumarolas negras e brancas. Créditos: NOAA

Através da exploração do nosso sistema solar, acredita-se que satélites como as luas Encélado e Europa apresentem estas fontes hidrotermais, já que há fortes indícios de oceanos em seus interiores.

Europa é uma das 79 luas de Júpiter e é considerado o principal candidato do Sistema Solar para se encontrar vida extraterrestre. Sua interação gravitacional com Júpiter faz com que os supostos oceanos existentes sob sua superfície fiquem aquecidos devido à energia térmica proveniente desta interação. Em 2018, pesquisadores encontraram em uma fonte termal na África do Sul a bactéria Candidatus Desulforudis audaxviator que consegue sobreviver sem luz solar e através da reações radioativas da água, condições estas que podem ser similares às de Europa. Em 2022 planeja-se enviar uma sonda até o satélite e, assim, ter provas concretas de que seria mesmo possível ter vida ali. (Fonte: Revista Galileu).

Europa-moonAs linhas na superfície de Europa podem indicar presença de oceanos em seu interior Créditos: Por NASA/JPL/DLR

Dados obtidos pela sonda Cassini, que orbitou Saturno durante 13 anos, foram fundamentais para determinar as condições possíveis de vida em Encélado. Uma das descobertas feitas através das informações da sonda é que o satélite possui um extenso oceano submerso que possui inúmeras fontes hidrotermais, semelhantes às encontradas na Terra. Simulações e estudos estão sendo realizados para determinar a idade dos oceanos de Encélado, já que se eles forem muito recentes talvez não teria tempo suficiente para que alguma forma de vida se desenvolvesse no local. Só assim, em caso de resultados favoráveis, o satélite, assim como Europa, seria alvo de novas missões investigativas na busca por vida extraterrestre.

enceladoO oceano interior de Encélado, por debaixo de uma crosta de gelo com 30 a 40 km de espessura. Fontes hidrotermais no fundo desse oceano são a explicação mais simples para as peculiaridades observadas na composição do material das plumas, que escapa para o espaço através de géisers alimentados por fendas na crosta.Créditos: NASA/JPL-Caltech.

Caso seu interesse seja ainda maior por este assunto, a Universidade de São Paulo disponibilizou um livro gratuito sobre Astrobiologia para download e pode ser acessado neste linkO livro conta com uma história detalhada sobre a evolução desta ciência fantástica e que está a cada dia mais ganhando novos incentivos. Boa leitura!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: